Entrevista: Silvana Jacobina

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Luz, câmera, ação. Quem está há mais tempo no Tribunal teve o privilégio de se divertir acompanhando a carreira da colega Silvana Maria Gonçalves Jacobina. Não, não me refiro ao cargo como servidora pública, neste também ela sempre desempenhou bem seu papel.  Falo do lado artístico da colega.

O Tribunal era menor e, naquela época, servidores e magistrados costumavam ir à presidência, cumprimentar o presidente da vez na passagem do seu aniversário. Comia-se um pedaço de bolo, encontrava-se os colegas de setores mais distantes. Simples assim.

Na presidência do desembargador Sérgio Moreira de Oliveira, hoje aposentado, o animado gabinete do magistrado descobriu que seu aniversário coincidia com o de um dos mais famosos presidentes da História: John Kennedy. Foi a deixa para inovarem e fazer um aniversário temático: Happy Birthday, Mr. President!

Quem estava lá não esquece, mas para quem não pôde ir ou está chegando ao TRT agora, informo: teve comidinhas, bebidinhas e, claro, um grande bolo, mas não ficou só nisso. Assim, como na festa do presidente norte-americano, o presidente do tribunal ouviu o “parabéns pra você” de uma linda “cantora”.

Silvana adentrou a presidência, lotada de gente, no salto, vestida de Marilyn Monroe, dublando a famosa atriz (conseguiram o áudio original). Com uma esfuziante peruca loura, vestiu a personagem tão bem que muitos não a reconheceram.

Hoje, sabe-se da importância de momentos assim: unem equipes, aumentam o sentimento de pertencimento e a produtividade, mas embora realizada no final do expediente, foi uma festa audaciosa. A cara de surpresa do magistrado hoje viraria um meme.

Foi sua primeira personagem no Tribunal, mas o prazer pelo palco vem da adolescência.  Morava em Itaguaçu-ES, quando o grupo teatral da cidade visitou sua escola convidando a garotada para fazer teatro.  No dia seguinte, lá estava ela se juntando à trupe e não demorou muito para “rodar” por alguns distritos com a peça “A luz dos Olhos”.

Estava com 16 anos e o grupo se preparava para montar “Vida de Cristo”. Sua participação como Maria Madalena já estava certa quando o pai, motivado em dar mais oportunidades de educação aos filhos, pediu transferência para Vila Velha.

O Teatro perdeu uma atriz? (provoco). Ela refuta e conta que nunca pensou em seguir carreira, mas adora tudo ligado à arte. Participava de muitas atividades na pequena cidade, inclusive, era integrante da Banda Marcial com 180 mulheres. Sorridente, completa: “Em Itaguaçu, a filha de Helena e Aélcio era uma estrelinha; na cidade grande, virei uma anônima até chegar ao TRT e ser alçada ao estrelato.”

Sim, houve outras performances memoráveis no Tribunal. Afinal, ter um aniversário animado pela “Marilyn Monroe” abriu uma espécie de padrão Hollywood de qualidade para o gabinete do magistrado que, durante anos até a aposentadoria dele, pôde contar com o talento da colega para rolar a festa nos aniversários. Na última, no TRT, incorporou “Silvete Sangalo”.  Mais experiente, não precisou dublar e soltou a própria voz.  A letra era uma paródia sobre a aposentadoria do desembargador. Levantou poeira.

Hoje, Silvana levanta medalhas e no lugar de palcos, sobe nos pódios nas Olimpíadas da Justiça do Trabalho. Concorre em várias modalidades, mas foi na corrida que se destacou e conquistou duas medalhas. A grande paixão, no entanto, é o vôlei de areia. Corre e faz musculação para melhor jogar.

Silvana é casada com Artur e tem dois filhos: Gabriel, 22 e Isabela,18. O projeto da família é comprar um sítio para descansar e reunir “todo mundo”. A grande incentivadora é a mãe, que adora juntar a família e fazer bagunça. O DNA da alegria vem de família.

O sítio ainda não foi comprado, mas as mudinhas do que será plantado têm sido cuidadas com carinho. Sua varanda tem pé de romã, maracujá, mexerica, manjericão e por aí vai. A varanda do apartamento é seu quintal. Flores é outra paixão, está na fase das begônias.

Mãe, esposa, filha, amiga dos colegas, servidora pública, atleta, atriz, jardineira… São muitos os papéis desempenhados pela neta de dona Hipólita, vó querida vivendo hoje apenas no coração.  Em comum, o fato de exercer todas as funções com bom humor e alto astral. O melhor papel da vida é espalhar alegria e isso Silvana faz por onde passa, sem precisar seguir nenhum script.

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