Entrevista: Hélio Nascimento

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A paixão por cinema acompanha nosso colega Hélio Roberto do Nascimento desde muito cedo. Na adolescência, entrar numa locadora de vídeo e escolher o filme era como passear num parque de diversões. Não raro pegava três fitas de uma vez só para maratonar.

A turma do Netflix entendeu o maratonar, mas fita de vídeo!?! Sim, quem é jovem há mais tempo lembra-se de que para assistir a filmes fora das salas de cinema era preciso ir até a uma loja e alugar fita VHS. E esta era a parte boa. Devolver a fita dava trabalho. As fitas deveriam ser entregues rebobinadas – ô perrengue – senão, pagava-se multa.

Meros “detalhes”, claro, que não tiravam o prazer de assistir a um bom filme. O gosto do colega é eclético. Entretanto, os filmes europeus sempre foram os favoritos. Peço para escolher um, e divide-se entre “Cinema Paradiso” e “Um Homem meio Esquisito”. Drama é o gênero predileto por “trabalhar os relacionamentos e as questões humanas”.

E bons relacionamentos fazem parte de sua vida real. Desde a posse no TRT, em 1991, trabalha na área de Recursos Humanos (atual SGP) e é pessoa conhecida por atender bem a todos. Sempre muito atencioso, seja para tirar dúvidas dos colegas, seja para auxiliar no trabalho.

A fórmula é revelada numa frase: “Trato as pessoas como gostaria de ser tratado.” Bonito de dizer. Nem sempre fácil de fazer para a maioria dos mortais. Diferente para ele, um mestre na arte.

Se é assim com colegas próximos ou nem tanto, imagina o carinho que o filho – diga-se de passagem, ele tem sete irmãos – de seu Argenito e dona Lindaura não dispensa à família…

Sete irmãos já foi até nome de filme. O roteiro mais original de sua vida, porém, está ligado a uma love story. Sabe como ele conheceu a esposa? Entrando de braços dados com ela numa igreja, em uma cerimônia de casamento.

Spoiler dado, vamos ao enredo: Giovanna e ele eram da mesma igreja, mas só se conheciam de vista. Um amigo comum resolve casar-se e convida Hélio para ser seu padrinho e Giovanna, para madrinha.

Certamente, ela nem se esmerou em pegar o buquê da noiva, afinal, já entrou de braços dados com o futuro marido na igreja, queria mais o quê? Onze meses depois, estavam casados.

A história fica mais bonita ainda ao resolverem ser pais. O sonho dos dois chegou por meio da adoção de três irmãos. Quando se tornaram filhos do casal, Juan, Jamon e Luana tinham 12, 10 e 7 anos, respectivamente. Hoje, apenas a moça, com 18 anos, ainda mora com eles.

O incrível dessa história (preparem o lencinho) é que Giovanna trabalhou como psicóloga no abrigo onde estavam essas crianças e havia se encantado por elas. O tempo passou, ela mudou de emprego, casou-se. Quando decidiram adotar, ela quis voltar lá… e ainda as encontrou. Como dizem: “Era para ser” ou, para usar o nome de um filme, estava “Escrito nas estrelas”.

Aliás, cabe registrar: O colega cursou Comunicação só pela cadeira de Cinema. À época, não havia faculdade específica aqui no Espírito Santo. Revela, no entanto, nunca ter pensado em trabalhar com a Sétima Arte, sua paixão é de admirador.

Como a maioria dos cinéfilos, Hélio adora uma boa trilha sonora e cenários perfeitos, por isso, quando indago sobre um lugar no mundo, ele não hesita: “Paris, pretendo voltar logo.”

Sim, Hélio, o clássico Casablanca nos ensina, por meio de uma de suas mais famosas frases, que os apaixonados, seja pela vida, seja pela arte, sempre terão Paris.

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