Durante protesto contra 2 anos de “enrolação” na CFT, servidores demonstram disposição de deflagrar a greve em defesa do PCS



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Apesar de atingir quórum de votação, CFT não inclui PL 6613/09 na pauta. Servidores protestam e distribuem bolo de “aniversário” de dois anos em que PCSs estão parados


 

 

 

 

 

 

 

Fotos: Joana Darc Melo

BRASÍLIA – 13/06/12 – Indignação pela demora nas negociações em torno dos PCSs e disposição de construir a greve por tempo indeterminado em defesa da revisão salarial foram os recados dados pelos servidores que estiveram na manhã desta quarta-feira [13] na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara. O mote da manifestação foi o “aniversário” de dois anos em que os projetos estão parados na CFT sem ser votados, devido à falta de um acordo entre as cúpulas do Judiciário e do MPU com o governo federal. Com bolos, cuja frase dizia “PCS há 2 anos na CFT!!! Até quando, deputado?”, balões, apitos e faixas, os servidores cobraram dos deputados agilidade na negociações e criticaram o fato de mais uma sessão da CFT ocorrer sem que o PCS fosse votado.

O coordenador geral da Fenajufe Joaquim Castrillon, ao abrir o ato, explicou que o objetivo daquela manifestação era mostrar aos deputados a indignação da categoria com o descaso do Judiciário e do Legislativo que, segundo ele, têm se curvado às determinações do governo federal. “Estamos há seis anos sem reajuste e não é possível que até agora, depois de dois anos do PCS aqui na CFT, nada ainda se concretizou. Esperamos com esse ato voltar para as nossas bases com a certeza de que vamos construir a greve por tempo indeterminado em todo o país. Não vamos nos curvar ao programa de metas imposto pelo CNJ, ao corte de pontos e ao assédio moral”, disse Castrillon, que durante sua fala citou os sindicatos presentes na manifestação: Sindjus-DF, Sindiquinze-SP, Sintrajud-SP, Sindjufe-MS, Sindijufe-MT, Sintrajufe-PI, Sinjufego-GO e Sintrajufe-MA. A intervenção do dirigente sindical foi seguida de palavras de ordem como: “PCS já, ou a Justiça vai parar” e “Oh deputado, preste atenção, sem PCS não vai ter eleição”.

Ausência de relator mantém projeto fora da pauta

Mesmo com a indicação nesta terça-feira [12] do deputado João Dado [PDT-SP] para assumir a relatoria do PCS, o 6613/09 não entrou na pauta da sessão, que teve início exatamente às 10h50, sob intenso protesto dos servidores presentes. Embora o quórum de votação tenha sido atingido – o que não ocorreu em várias sessões devido à orientação do governo para barrar o PCS -, a ausência de João Dado impediu que o PL fosse incluído na pauta.

Um requerimento pedindo a inclusão do PL 6613/09 foi apresentado pelo deputado Pauderney Avelino [DEM-AM], como resultado das articulações da Fenajufe e representantes de alguns sindicatos de base. “O novo relator foi designado, mas, devido à sua ausência, não temos como apreciar o projeto aqui hoje. O deputado João Dado ficou de apresentar em breve o seu relatório à secretaria da Comissão e assim que isso ocorrer, incluiremos o projeto na pauta”, disse Antônio Andrade [PMDB-MG], presidente da CFT, ao encaminhar contra a votação do requerimento do deputado Pauderney. Segundo o deputado mineiro, o novo relator do PCS estaria cumprindo uma agenda oficial fora de Brasília.

O autor do requerimento de inclusão do PCS cobrou o compromisso firmado pelo presidente da CFT, de incluir o projeto na pauta, lembrando que o prazo solicitado pelo STF já teria se esgotado. “Vossa Excelência [Antônio Andrade] se comprometeu a colocar o projeto na pauta depois de duas sessões em que ele esteve fora. O prazo solicitado pelo ministro Ayres Britto já se encerrou. Não temos notícias se essa negociação tem andado. Não podemos deixar que esse assunto seja mais uma vez adiado. Não podemos deixar as coisas serem empurradas com a barriga, enquanto os servidores estão há seis anos sem reajuste. Esperamos que Vossa Excelência assuma o compromisso de colocar o projeto na pauta da próxima semana”, questionou Pauderney.

Em resposta, Antônio Andrade disse que “foram feitas algumas negociações e hoje há clareza quanto ao empenho do STF e do TSE para buscar um acordo”. “As coisas estão avançando e há um entendimento do governo sobre a necessidade de um acordo”, afirmou o presidente da CFT.

Bolo e greve

Ao final do ato, os servidores cantaram novamente palavras de ordem – praticamente impedindo a continuidade da sessão – e distribuíram pedaços do bolo de “aniversário” dos dois anos de “enrolação” a deputados e assessores que estavam no plenário da CFT. Um dos deputados que recebeu o bolo pessoalmente das mãos dos manifestantes foi baiano Lúcio Vieira Lima [PMDB], que declarou seu apoio à revisão salarial.

Nas manifestações, a marca foi a disposição de construir a greve por tempo indeterminado, cujo indicativo é o dia 21 de junho. As falas demonstraram aos deputados que a intenção da Fenajufe e dos sindicatos presentes é deflagrar o movimento. Eles deixaram claro que “sem negociação, não haverá eleição”.

“Esse ato de hoje, que acontece aqui, mas também em vários estados, serve para mostrar que a categoria não aguenta mais essa enrolação e que, por isso, está disposta a cruzar os braços em mais uma greve pelo PCS. Nosso objetivo foi mostrar aos deputados que a intenção é comprometer as eleições, caso não haja avanço nas negociações. Hoje e amanhã, no país todo, acontecem paralisações, atos e assembleias já preparando a categoria para a greve unificada do dia 21”, afirma o coordenador geral Pedro Aparecido, convocando os servidores para a greve.

Também estiveram presentes na CFT pela Fenajufe os coordenadores Antônio Melquíades [Melqui], Jean Loiola, Fátima Arantes e Cledo Viera, além de Pedro Aparecido e Joaquim Castrillon.

 

Fonte: Fenajufe – Leonor Costa

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